O Castelo;
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| Castelo de Arnóia, Celorico de Basto, Foto de a/d e data s/d SIPA – IHRU(editada) |
O Castelo de Arnóia conhecido também como Castelo de Moreira, situado num requeiro cume do monte da freguesia de Arnóia, concelho de Celorico de Basto. De arquitetura militar românica, nitidamente medieval e de robusta construção, destacam-se quatro elementos defensivos: a torre de menagem; o torreão quadrangular; uma única porta; e a cisterna; está classificado como Monumento Nacional por decreto, desde 1946.
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| Castelo de Arnóia, Celorico de Basto, Foto de a/d, data de 1951 Sipa - IHRU (editada) |
Foi um importante Castelo cabeça de terra, referido já nas inquirições de 1258 e a sua construção enquadra-se no movimento de encastelamento entre os séculos X e XII, estima-se com algum fundamento que o Castelo de Arnóia já existiria no século X, terá sido restaurado em 1002 por Muninho Viegas, consequência da destruição pelas invasões de Almançor. Inicia-se um período de paz para o Castelo, contudo, mantém o seu alcaide e os homens necessários ao serviço de vigilância.
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| Castelo de Arnóia, Celorico de Basto, Foto de Pedro Paiva, data de 2019 |
No sopé do Castelo desenvolveu-se a povoação denominada "Aldeia do Castelo", sede de concelho desde a atribuição do foral de D. Manuel I em 1520, existem ainda edifícios e estruturas institucionais que atestam a autonomia do concelho no desempenho das suas funções. O seu isolamento e limitação de espaço, que impedia a expansão da vila poderão ter contribuído para que em 1719, por ordem de D. João V, a sede de concelho fosse tranferida para a freguesia de Britelo, hoje Celorico de Basto. Com a deslocação dos poderes, as elites da vila também se mudaram e aos poucos a desertificação, o castelo também terá sido abandonado nessa época.
A degradação do castelo foi gradual até ao século XX, evidente nas aduelas da cobertura que se encontravam no seu interior, na silharia com rombos e múltiplas deslocações ou na torre de menagem com as suas paredes desmoronadas. Foi com o processo da classificação do património que até 1946 as obras de reabilitação foram efectuadas, na década de 70, foram efetuadas obras de reconstituição que faltava na muralha e na torre de menagem.
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| Topo da torre de menagem do Castelo de Arnóia, Celorico de Basto, Foto de Pedro Paiva, data de 2019 |
Atualmente afeto ao Instituto do Património Arquitetónico, que lhe concluiu as obras de consolidação e restauro, o monumento reabriu ao público desde janeiro de 2004.
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| Castelo de Arnóia, Celorico de Basto, Foto de a/d, data de 2006 in CMCB |
Com o intuito de melhorar as condições para visitantes, em julho de 2015 são inauguradas obras de beneficiação e requalificação dos acessos, segurança e afixadas informações históricas, foi organizado um evento chamado de "Villa de Basto - 1520", com direito a cortejo, feirá de época com animação e um espetaculo de teatro encenando a história de uma outra lenda "A defesa do Castelo", a inauguração contou com a presença do Ministro da defesa Dr. José Pedro Aguiar-Branco.
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| Cartaz do Programa da Inauguração das obras de beneficência e restauro, "Villa de Basto 1520", 2015 |
Em 2018 recebeu a Feira Medieval a par do que já acontece também em muitos outros lugares espalhados pelo País.
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| Cartaz Promocional da Feira Medieval, "Villa de Basto", 2018 |
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| Antiga "Rua Direita"e artéria principal da aldeira de Arnóia, Foto de Pedro Paiva, data de 2019 |
Aldeia tipicamente portuguesa, representa bem através dos edifícios que conserva, a evolução ao longo dos séculos, o melhor exemplo é a Rua Direita, onde podemos observar a traça ancestral dos edifícios da Casa da Justiça, a Cadeia, a antiga Casa da Botica e o Pelourinho. num entanto a sua relevância histórica de arquitetura civil corre o risco de se perder, a maior parte deles necessitam de intervenção urgente de reabilitação ou preservação.
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| Pelourinho, representa a autonomia jurisdicional da vila, encontra-se no topo da antiga "Rua Direita", Foto de Pedro Paiva, data de 2019 |
Já na década de 60 foram restaurados o Pelourinho e a Forca.
A Lenda do Alcaide Mor
A lenda do alcaide mor do Castelo de Arnóia consiste na proeza de conseguir negar o seu novo Rei, pedindo demissão do seu cargo, sem sofrer as consequenciais de tal afrontamento.
Com a morte de D. Afonso III, o alcaide mor desfez-se em condolências à Rainha viúva Dona Beatriz que havia ficado testamenteira do rei. Da relação havia um filho legitimo, D. Dinis, sucessor ao trono do pai que com intuito de governar sem qualquer influencia castelhana, trata de cortar relações com a mãe, esta acaba por voltar para Castela, de onde era natural.
Martim Vasques da Cunha, alcaide mor do Castelo de Arnóia, "o Velho", 7.º Senhor da Honra da Cunha, 4.º Senhor de Tábua de juro e herdade e 2.º Senhor do Morgado de Tábua, que por ter tomado o partido da Rainha D. Beatriz, aquando da morte de D. Afonso III, havia sido por intermedeio de D. Beatriz que este terá conseguido o cargo, acaba por ficar numa situação de embaraço, por outro lado o seu Rei não quer abdicar das suas obrigações de honra para com a coroa portuguesa, desconfortável com a sua situação, o alcaide mor elabora um plano que lhe permita uma saída honrosa do cargo.
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| Castelo de Arnóia, Celorico de Bastos, Foto de a/d, data de 1963 Sipa - IHRU (editada) |
Segundo a lenda, a certa altura, manda sair toda a guarnição do castelo, já sozinho no seu inteiro incendeia habitações e aproveita o momento de "distração" para fugir, atou uma corda a um merlão da muralha e desceu para o seu exterior, sem que minguem o houvesse visto.
Já fora das muralhas do castelo, monta um cavalo que havia preparado, coloca-se em fuga e pelas povoações vizinhas apelava aos aldeões:
- Acorrei ao castelo d'el rei que se perde! Acorrei ao castelo d'el rei que se perde!
Com este plano consegue libertar-se do compromisso de honra. O Rei nomeia outro alcaide mor para governar o castelo e Vasques da Cunha consegue o que pretendia.
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| Espigueiro atualmente em utilização por morador da aldeia. Foto de Pedro Paiva, data de 2019 |
Fonte:
Castelo de Arnóia, Direção Geral do Património Cultural, 2011.
Castelos de Portugal, Roteiro e Lendas, Volume I, Alexandre Parafita, 2018.
















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